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26 de nov. de 2010

MPB e a ditadura

O regime militar no Brasil, que se manteve no poder no país de 1964 a 1985, buscava vigiar e controlar o espaço público e todo o enunciado político contra a ditadura, buscava-se desmobilizar a sociedade para manter o regime. Nos veículos de comunicação em massa havia mensagens políticas de resistência, assim aconteceu com a música brasileira, principalmente para driblar a censura que ocorria sobre as composições musicais. Toda produção artistica e cultural da época era submetida a anlise do DOPS(Departamento de Ordem e Política Social)

Qualquer composição musical ou declaração que chocasse a “normalidade” política da ditadura era registrado como suspeito. Classificava-se grupo de atuação comunista aqueles que eram formados por Francisco Buarque de Holanda, Edu Lobo, Nara Leão, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Marilda Medalha, Vinícius de Moraes, Milton Nascimento, entre outros.

Na década de 70, Chico Buarque passou a ser considerado inimigo número 1 do regime, seguido por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton, Gonzaguinha e Ivan Lins. Elis Regina passou a fazer parte da lista ao gravar o hino da anistia, a música “O bêbado e a equilibrista”.

Além de espaços sociais serem suspeitos, a atividade artística era considerada suspeita e subversiva. Os departamentos de investigação visaram defender a ordem política da época e manter os grupos familiares e seus devidos laços morais. Mas como cantava Caetano Veloso : “é proibido proibir”.


Cálice Ouça:
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque e Gilberto Gil
ai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...(2x)

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cale-se!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cale-se!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cale-se!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cale-se!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cale-se!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cale-se!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cale-se!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cale-se!)

Veja o dueto de Cálice com Chico Buarque Nilton Nascimento






Acorda Amor Ouça:
(Julinho de Adelaide / Leonel Paiva - 1974)
Intérprete: Chico Buarque

Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
minha nossa santa criatura
chame, chame, chame, chame o ladrão
Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão da escada
fazendo confusão, que aflição
São os homens, e eu aqui parado de pijama
eu não gosto de passar vexame
chame, chame, chame, chame o ladrão
Se eu demorar uns meses convém às vezes você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo
Ponha roupa de domingo e pode me esquecer
Acorda amor
que o bicho é bravo e não sossega
se você corre o bicho pega
se fica não sei não
Atenção, não demora
dia desses chega sua hora
não discuta à toa, não reclame
chame, clame, clame, chame o ladrão



Histórico: Após as canções “Cálice” e “Apesar de Você” terem sido censuradas pelo sistema repressivo, Chico Buarque achou que seria mais difícil conseguir aprovar alguma música sua pelos agentes da censura. Escreveu então “Acorda Amor” com o pseudônimo de Julinho de Adelaide para driblar a censura. Como ele esperava, a música passou. Julinho ainda escreveria mais 2 músicas antes de uma reportagem especial do Jornal do Brasil sobre censura, que denunciou o personagem de Chico. Após esta revelação, os censores passaram a exigir que as músicas enviadas para aprovação deveriam ser acompanhadas de documentos dos compositores.

Acorda Amor é um retrato fiel aos fatos ocorridos no período que teve seu ápice entre 1968 (logo após a decretação do AI-05) e 1976 quando, teoricamente, a tortura já não era mais praticada pelos militares. Diversas pessoas sumiram durante este período após terem sido arrancadas de suas casas a qualquer hora do dia ou da noite, e levadas para DOPS e DOI-CODI´s espalhados pelo Brasil. A falta de confiança era tão grande que as pessoas tinham mais medo dos policiais (que seqüestravam, torturavam, matavam e, muitas vezes sumiam com corpos) do que de ladrões. A ironia do compositor é tão grande que, quando os agentes da repressão chegam a casa chamam-se os ladrões para que sejam socorridos.

Apenas um Rapaz Latino-Americano Ouça:
(Belchior – 1976)
Intérprete: Belchior

Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior
Mas trago, de cabeça, uma canção do rádio
Em que um antigo compositor baiano me dizia
Tudo é divino, tudo é maravilhoso
Tenho ouvido muitos discos, conversado com pessoas,
caminhado meu caminho
Papo, som dentro da noite e não tenho um amigo sequer
E não acredite nisso, não, tudo muda e com toda razão
Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior
Mas sei que tudo é proibido aliás, eu queria dizer
Que tudo é permitido até beijar você no escuro do cinema
Quando ninguém nos vê
Não me peça que lhe faça uma canção como se deve
Correta, branca, suave, muito limpa, muito leve
Sons, palavras, são navalhas e eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém
Mas não se preocupe meu amigo com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção, a vida, a vida realmente é diferente
Quer dizer, a vida é muito pior
Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco
Por favor não saque a arma no "saloon" eu sou apenas um cantor
Mas se depois de cantar você ainda quiser me atirar
Mate-me logo, à tarde, às três, que à noite tenho um compromisso
E não posso faltar por causa de você
Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior
Mas sei que nada é divino, nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é sagrado, nada, nada é misterioso, não


Histórico: Escrita em 1976, a canção de Belchior caracteriza o Brasil da época de forma irônica. “Apenas um rapaz latino americano” é um protesto contra a repressão que censurava os artistas e, principalmente músicos da época.
Versos como “Por favor não saque a arma no "saloon" eu sou apenas um cantor / Mas se depois de cantar você ainda quiser me atirar / Mate-me logo, à tarde, às três, que à noite tenho um compromisso / E não posso faltar por causa de você” seriam quase como uma pergunta: O que vocês tanto têm a temer que não podem nem deixar que nós, que somos somente músicos, digamos e cantemos o que pensamos?


Apesar De Você Ouça:
(Chico Buarque – 1970)
Intérprete: Chico Buarque

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.
Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.
Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal




Histórico: No mesmo ano em que a seleção brasileira conquistou o tricampeonato mundial, as torturas e desaparecimentos de pessoas contrárias ao regime do general Médici eram constantes. Chico Buarque fez a letra dirigida exatamente à Médici, e enviou aos censores certo de que não passaria. Passou e foi gravada. O compacto atingia a marca de 100 mil quando um jornal insinuou que a música era uma homenagem ao presidente. A gravadora foi invadida e todas as cópias destruídas. Chico foi chamado a um interrogatório para prestar informações e esclarecer que era o “você” mencionado na música. “É uma mulher muito mandona, muito autoritária”, respondeu. A canção só seria regravada em 1978 num álbum que leva o nome do autor da música.

Veja o video:Cartomante Interpretada na voz de Elis Regina:

Cartomante
(Ivan Lins / Vitor Martins – 1978)
Intérprete: Elis Regina

Nos dias de hoje é bom que se proteja
Ofereça a face pra quem quer que seja
Nos dias de hoje esteja tranqüilo
Haja o que houver pense nos seus filhos

Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida

Nos dias de hoje não lhes dê motivo
Porque na verdade eu te quero vivo
Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço

Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias

Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai não fica nada.

Histórico: Conforme o próprio Ivan Lins, essa música chamava Está Tudo nas Cartas: “Uma jornalista da revista Veja usou uma declaração do meu parceiro, Vitor Martins, que ele deu em off, e ela publicou. Nessa declaração o Vitor não falava boas coisas sobre o chefe da Censura Federal, mas isso não fazia parte da entrevista. Essa jornalista traiu o Vitor. Ela fez isso com a intenção de prejudicá-lo e fazer sensacionalismo. Eu nem quero falar o nome dela, mas é uma pessoa bastante conhecida aqui em São Paulo. Depois dessa entrevista do Vitor, Está Tudo nas Cartas entrou na lista de “vetada definitivamente” pela censura. Só que a gravação já estava pronta na voz da Elis Regina. Alguém da gravadora Phillips foi à Brasília e conseguiu liberar a música, mas com uma condição: era preciso mexer no título. Mudamos pra Cartomante. A Rosalyn Carter, esposa do presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, recebeu cartas da presidente do comitê feminino dos Direitos Humanos falando sobre os direitos humanos no Brasil. O nome da música Está Tudo nas Cartas ficou parecendo que a gente estava insinuando alguma coisa sobre essas cartas que foram entregues pra Rosalyn. Na época, isso deu uma confusão danada. Misteriosamente, liberaram a música com a condição de alterarmos o título.”



Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos Ouça:
(Roberto Carlos – 1971)
Intérprete: Caetano Veloso

Um dia a areia branca
Seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar

Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante
As luzes e o colorido
Que você vê agora
Nas ruas por onde anda
Na casa onde mora
Você olha tudo e nada
Lhe faz ficar contente
Você só deseja agora
Voltar pra sua gente
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante
Você anda pela tarde
E o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito
Uma saudade, um sonho
Um dia vou ver você
Chegando num sorriso
Pisando a areia branca
Que é seu paraíso
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante

Histórico: Sim! A composição desta música é de Roberto Carlos. E não, ela não foi dedicada a nenhuma mulher. O “rei” Roberto compôs esta música para o amigo Caetano Veloso que estava exilado em Londres. Sabia das saudades que o amigo sentia de seu país e a dor e vazio por não poder voltar. Compôs então a música que, mais tarde se tornaria sucesso na voz do próprio Caetano. Nesta época muitos brasileiros viviam no exílio, ou seja, tiveram que fugir do Brasil por conta da forte repressão sofrida pelos órgãos de repressão da ditadura militar.




O Bêbado e A Equilibrista Ouça:
(João Bosco / Aldir Blanc – 1979)
Intérprete: Elis Regina

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona do bordel,
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens, lá no mata-borrão do céu,
Chupavam manchas torturadas, que sufoco!
Louco, o bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil.
Meu Brasil.
Que sonha com a volta do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete.
Chora a nossa pátria mãe gentil,
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil.
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Asas, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar...

Histórico: Composta em 1979, tornou-se um símbolo da luta pela anistia. Pela volta dos exilados e pela abertura política do regime militar. Carlitos, personagem mais famoso de Charles Chaplin, representa a população oprimida, mas que ainda consegue manter o bom humor, denunciava as injustiças sociais de forma inteligente e engraçada. A Equilibrista dançando na corda bamba, de sombrinha, é a esperança de todo um povo.
Henrique de Sousa Filho, conhecido como Henfil, foi um cartunista, quadrinista, jornalista e escritor brasileiro. Seu irmão, Herbert José de Sousa, conhecido como Betinho, foi um sociólogo e ativistaprojeto Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida. Com o golpe militar, em 1964, mobilizou-se contra a ditadura, sem nunca esquecer as causas sociais. Mas, com o aumento da repressão, foi obrigado a se exilar no Chile em 1971. dos direitos humanos brasileiro; concebeu e dedicou-se ao
Maria era mãe de Betinho (irmão de Henfil) e Clarice mulher do jornalista assassinado na ditadura Vladimir Herzog. Mas Marias e Clarisses, no plural, fazem referência às mães, talvez irmãs ou mulheres de pessoas que se foram, ou mesmo deixaram o nosso país, lutando por um ideal, um sonho, de ver o Brasil livre para a informação e para a expressão das artes.


Veja o video: O Que Será (A Flor da Terra- Chico Buarque)

O Que Será (A Flor da Terra)
(Chico Buarque – 1976)
Intérprete: Milton Nascimento / Chico Buarque

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

Histórico: Música feita para o filme “Dona Flor e Seus Dois Maridos” de Bruno Barreto. Há quem diga que a música fala de sexo, desejo e sensações humanas incontroláveis. Mas a melhor versão é a de que fala de liberdade. A liberdade que todas as pessoas queria gritar aos quatro ventos naqueles tempos repressivos. Mas há uma curiosidade: nem o próprio Chico Buarque sabe o que pode estar por trás da canção. Ao saber, em 1992, de uma ficha do extinto DOPS analisando versos de “O que Será” ele declarou ao Jornal do Brasil: “acho que eu mesmo não sei o que existe por trás dessa letra e, se soubesse, não teria cabimento explicar...". Então, deixemos sem maiores explicações....!


Panis Et Circenses Ouça:

(Caetano Veloso / Gilberto Gil - 1968)
Intérprete: Marisa Monte

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de som
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei plantar
Folhas de sonhos no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar
Mas as pessoas da sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer




Histórico: Panis et Circenses vem do latim e significa: Política do pão e circo, ou seja, a música denuncia, uma crítica do que o governo fazia com a população: entretenimento e comida. Pra que se preocupar com mais?
“Mas as pessoas da sala de jantar / São ocupadas em nascer e morrer” é uma crítica à estas pessoas. Uma sociedade que fechava os olhos e aceitava o pão e circo que o governo usava como “cala-boca” e se preocupavam com os próprios problemas (qualquer semelhança com o hoje é mera coincidência!) e esqueciam de se preocupar também com seu país.
Escrita em 1968, foi um hino do movimento tropicalista liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil.

25 de nov. de 2010

Dia 13 de julho comemora-se o dia mundial do Rock




No dia 13 de julho é comemorado o Dia Mundial do Rock. A data foi instituída pela ONU em homenagem ao evento Live Aid, realizado na mesma data, em 1985, simultaneamente na Inglaterra e nos Estados Unidos. O objetivo era arrecadar fundos e contribuir para o combate a fome na África.

Sucessos do Incio do Rock No brasil

Cauby Peixoto - Rock and Roll Em Copacabana - 1957
Foi lá na porta do cinema, começou dançando Rock'n Roll
Era de dia, ninguém via, mas fazia um sinal do Soul
Foi lá na porta do cinema, começou dançando Rock'n Roll
Revira o corpo, estica o braço, encolhe a perna e joga para o ar
Eu quero ver, qual é o primeiro que essa dança vai aluçinar
E continua a garotada, na calça a se desabafar
Eu vou cantando até agora não parei nem para respirar

Eu quero ver, quero saber onde essa dança doida vai chegar
Revira o corpo, estica o pé, agente vai dobrar
Até eu mesmo nessa dança não parei sem me recordar
E todo mundo, nesse rock vão desencanar
Revira o corpo, estica o pé, agente vai dobrar
Até eu mesmo nessa dança não parei sem me recordar
E todo mundo, nesse rock vão desencanar

Rock'n Roll, vou dançar, Rock N' Roll vou vibrar


Betinho e Seu Conjunto - Enrolando O Rock

Ouça:

MPB de um jeito que voce nunca ouviu...

Numa época difícil na história de nosso país, Elis Regina levantou sua voz em favor da liberdade e renovação, usando a empatia em detrimento da militância para levantar sua bandeira em prol "da compreensão, do encontro e do entendimento entre as pessoas". Considerada uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, nunca houve uma intérprete com tanto carisma. As interpretações apaixonadas, a enorme popularidade, o temperamento explosivo e a morte prematura, aos 36 anos, por overdose de cocaína e álcool, fizeram de Elis um mito. "Como Nossos Pais", poesia composta por Belchior, é um hino à uma juventude que amadurece percebendo que o mundo é uma constante, porque é feito de homens que se acomodam e de outros que lutam por mudança. E, nessa balança oscilante, esses últimos vestem de uma nova cara a mesma velha história que os outros já viveram.

Não sei se quebrarei a corrente. Não sei se a nossa geração será diferente. Mas sei que vale a pena ouvir a música e vestir-se de coragem pra pelo menos arriscar.

Como Nossos Pais

Não quero lhe falar, meu grande amor, das coisas que aprendi nos discos;
quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo.
Viver é melhor que sonhar. Eu sei que o amor é uma coisa boa;
mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa.

Por isso, cuidado, meu bem, há perigo na esquina!
Eles venceram. E o sinal está fechado pra nós que somos jovens.
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
é que se fez o seu braço, o seu lábio, e a sua voz...

Você me pergunta pela minha paixão.
Digo que estou encantada com uma nova invenção.
Eu vou ficar nesta cidade. Não vou voltar pr'o sertão.
Pois vejo vir vindo, no vento, o cheiro da nova estação.
Eu sei de tudo, na ferida viva do meu coração...

Já faz tempo, eu vi você na rua: cabelo ao vento, gente jovem reunida.
Na parede da memória, essa lembrança é o quadro que dói mais.
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos
ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...

Nossos ídolos ainda são os mesmos; e as aparências não enganam não.
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém.
Você pode até dizer que eu tô por fora; ou então, que eu tô inventando.
Mas é você que ama o passado e que não vê...
É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem.

Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
tá em casa, guardado por Deus, contando vil metal.
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos,
Nós ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.

24 de nov. de 2010

Origens do Rock

Gênero musical de grande sucesso surgiu nos Estados Unidos nos anos 50. Inovador e diferente de tudo que já tinha ocorrido na música, o rock unia um ritmo rápido com pitadas de música negra do sul dos EUA e o country. Uma das características mais importantes do rock era o acompanhamento de guitarra elétrica, bateria e baixo. Com letras simples e um ritmo dançante, caiu rapidamente no gosto popular. Apareceu pela primeira vez num programa de rádio no estado de Ohio (EUA), no ano de 1951.

O Rock no Brasil
A primeira música de rock gravado no Brasil foi “Rock around the Clock”. de Bill Haley & Hits Comets (Trilha do filme sementes da Violência) na voz da Cantora de samba canção Nora Ney, em outubro de 1955.

Rock Around The Clock

Rock Around The Clock

One, two, three o'clock, four o'clock rockUm, dois, três horas, quatro horas de rock
Five, six, seven o'clock, eight o'clock rockCinco, seis, sete horas, oito horas de rock
Nine, ten, eleven o'clock, twelve o'clock rockNove, dez, onze horas, doze horas de rock
We're gonna rock around the clock tonightNós vamos dançar rock pelas horas hoje à noite


Put your glad rags on and join me hon'Ponha seus trapos alegres e aproveite comigo
We'll have some fun when the clock strikes oneTeremos diversão quando o relógio bater uma
We're gonna rock around the clock tonightNós vamos dançar rock pelas horas hoje à noite
We're gonna rock, rock, rock, 'till broad daylightNós vamos dançar rock, rock, rock, até amanhecer
We're gonna rock we're gonna rock around the clock tonightNós vamos dançar rock nós vamos dançar rock pelas horas hoje à noite


When the clock strikes two, three and fourQuando o relógio bater duas, três e quatro
If the band slows down we'll yell for moreSe a banda diminuir vamos gritar por mais
We're gonna rock around the clock tonightNós vamos dançar rock pelas horas hoje à noite
We're gonna rock, rock, rock, 'till broad daylightNós vamos dançar rock, rock, rock, até amanhecer
We're gonna rock we're gonna rock around the clock tonightNós vamos dançar rock nós vamos dançar rock pelas horas hoje à noite


When the chimes ring five, six, and sevenQuando o alarme tocar cinco, seis e sete
We'll be right in seventh heavenNós estaremos no sétimo céu
We're gonna rock around the clock tonightNós vamos dançar rock pelas horas hoje à noite
We're gonna rock, rock, rock, 'till broad daylightNós vamos dançar rock, rock, rock, até amanhecer
We're gonna rock we're gonna rock around the clock tonightNós vamos dançar rock nós vamos dançar rock pelas horas hoje à noite


When it's eight, nine, ten, eleven tooQuando for oito, nove, dez, onze também
I'll be goin' strong and so will youEu estarei indo para forte e assim vai
We're gonna rock around the clock tonightNós vamos dançar rock pelas horas hoje à noite
We're gonna rock, rock, rock, 'till broad daylightNós vamos dançar rock, rock, rock, até amanhecer
We're gonna rock we're gonna rock around the clock tonightNós vamos dançar rock nós vamos dançar rock pelas horas hoje à noite


When the clock strikes twelve we'll cool off thenQuando o relógio bater doze nós nos refrescar depois
Start rockin' 'round the clock againIniciar rockin 'round' o relógio novamente
We're gonna rock around the clock tonightNós vamos dançar rock pelas horas hoje à noite
We're gonna rock, rock, rock, 'till broad daylightNós vamos dançar rock, rock, rock, até amanhecer
We're gonna rock we're gonna rock around the clock tonightNós vamos dançar rock nós vamos dançar rock pelas horas hoje à noite

O primeiro sucesso no cenário do rock brasileiro apareceu na voz de uma cantora, Celly Campello estourou nas rádios com os sucessos Banho de Lua e Estúpido Cupido, no começo da década de 1960.
Estúpido Cupido

Banho de Lua


Em meados desta década, surge a Jovem Guarda com cantores como, por exemplo, Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. Com letras românticas e ritmo acelerado, começa fazer sucesso entre os jovens.
Na década de 1970, surge Raul Seixas e o grupo Secos e Molhados. Na década seguinte, com temas mais urbanos e falando da vida cotidiana, surgem bandas como: Ultraje a Rigor, Legião Urbana, Titãs, Barão Vermelho, Kid Abelha, Engenheiros do Hawaii, Blitz e Os Paralamas do Sucesso.
Na década de 1990, fazem sucesso no cenário do rock nacional : Raimundos, Charlie Brown Jr., Jota Quest, Pato Fu, Skank entre outros.

A Origem do MPB

Entre os séculos XVI e XVIII no período colonial brasileiro, misturaram-se em nossa terra, cantigas populares, sons de origem africana, fanfarras militares, músicas religiosas e eruditas européias. Também contribuíram, neste caldeirão musical, os indígenas com seus típicos cantos e sons tribais. E assim surgiu um movimento cultural brasileiro nomeado MPB- Musica Popular Brasileira, que é caracterizado por englobar músicos e musicas que servem de estrutura cultural e representam a sociedade de acordo com seu contexto social, que via na arte uma forma de conscientizar a população em um ambiente político hostil (estávamos na década de 1960, época em que terá início a ditadura militar no país). Um estilo de música com características próprias, independente do estrangeirismo, pois o que marca a MPB e a criação nacional, com instrumentos presentes na cultura. Nesse sentido é um estilo que engloba as misturas étnicas de todo o povo brasileiro.

Ritmos musicais que marcaram a história da MPB:

No século XVIII e no inicio do XIX destacavam-se,

· O lundu, de origem africana, possuía um forte caráter sensual e uma batida rítmica dançante.

· A modinha, de origem portuguesa, trazia a melancolia e falava de amor numa batida calma e erudita.

Na segunda metade do século XIX

· O chorinho, samba romântico a partir da mistura do lundu, da modinha e da dança de salão européia.

Início do século XX,

· O samba: começam a surgir as bases do que seria o samba mistura-se os batuques e rodas de capoeira com os pagodes e as batidas em homenagem aos orixás. O carnaval começa a tomar forma com a participação, principalmente de mulatos e negros ex-escravos. O ano de 1917 é um marco, pois Ernesto dos Santos, o Donga, compõe o primeiro samba que se tem notícia : Pelo Telefone. Neste mesmo ano, aparece a primeira gravação de Pixinguinha, importante cantor e compositor da MPB do início do século XIX.

Na década de 1940

· Baião: Falando do cenário da seca nordestina, Luis Gonzaga faz sucesso com músicas como, por exemplo, Asa Branca e Assum Preto.

· O samba-canção. Com um ritmo mais calmo e orquestrado, as canções falavam principalmente de amor. Destacam-se neste contexto musical: Dolores Duran, Antônio Maria, Marlene, Emilinha Borba, Dalva de Oliveira, Angela Maria e Caubi Peixoto.

· Bossa Nova, nos fins dos anos 50 surge um estilo sofisticado e suave. Destaca-se Elizeth Cardoso, Tom Jobim e João Gilberto. A Bossa Nova leva as belezas brasileiras para o exterior, fazendo grande sucesso, principalmente nos Estados Unidos.